Poderia falar-lhes por horas e horas, sobre cada cidade que já estive, sobre a história do Arco do Triunfo, sobre como ficou Berlim após a queda do muro ou sobre o que está sendo construído no local onde eram as Torres Gêmeas do World Trade Center, mas não. Minha abordagem será diferente. Esta postagem será dedicada a um local em especial. Torre Eiffel? Palácio de Buckingham? Topo do Empire State Building? Não, meus amigos. Melhor do que isso. Vou falar-lhes sobre o grande centro de concentração de líquidos, gases e sólidos... um lugar único e conhecido mundialmente. Um local mágico, onde se vê de tudo, se ouve de tudo e muitas vezes, infelizmente, se sente cheiro de tudo: o BANHEIRO.
Vocês devem estar achando que banheiro é tudo igual. Tolinhos!!!! Utilizar banheiro também é tomar banho de cultura. Leiam esta postagem e saberão o porquê. Apertem os cintos e bom banho, digo, boa leitura!
Dos banheiros de aeroportos, voemos para os BANHEIROS DE AVIÃO, outro local milagroso! Sim... porque para conseguir utilizar aquela minúscula cápsula que eles chamam de WC, só fazendo milagres. Confesso que não sou uma frequentadora assídua dos wcs das aeronaves, mas chega uma hora que não tem bexiga que aguente, ainda mais em vôos de 11, 12 horas em que são servidos bebidas, café, água, etc... Quando não dá mais, eu me rendo e entro na cápsula. Pra começar, já entro rezando para não ficar trancada dentro do cubículo. A luz só acende quando tranca a porta. Você nunca acha o local de colocar o papel higiênico e sempre tem turbulência quando é a sua vez de usar a privada aérea. Fora isto é tranquilo. Eu recomendo que, se você tiver a oportunidade de andar de avião, mesmo sem vontade, vá visitar o banheiro, pelo menos para ter a experiência de contar depois. Mas atenção! Nunca... em hipótese nenhuma.... acione a descarga enquanto estiver sentado no vaso sanitário, principalmente se você for mulher (a não ser que você queira fazer uma histerectomia completa, sem anestesia), porque a sucção é tão forte que chupa até os seus órgãos internos mais internos. Isso não é piada!
Outra coisa: para quem não sabe, banheiros de avião, principalmente os da classe econômica, são points concorridíssimos. Chegam a se formar filas imensas nos corredores da aeronave só para usar os banheiros. Sabe como é... povo é povo... adora uma fila, mesmo que esta seja a 13.000 metros de altura. É muito comum ver homens e mulheres na fila do wc, com as necessáires debaixo do braço. Acho que alguns carregam até o Ivo Pitanguy dentro da frasqueira, porque depois que se trancam no banheiro, com a cara amarrotada, saem de lá (horas depois) lindos e maravilhosos. Quem vê até pensa que eles estão impecáveis desde a hora em que saíram do destino. Eu, que sou mais autêntica e só uso o toilette alado por necessidade mesmo, chego sempre no meu destino, escabelada, com a cara amarrotada, com olheira e com o banho quase vencido.
Falando em banheiro de avião, não poderia deixar de falar no banheiro do Pai da Aviação. Alguém aí já teve a oportunidade de visitar a casa do Santos Dumont, na cidade de Petrópolis? A casa toda é uma coisa estranha, mas o banheiro....
Seguindo o assunto... quando finalmente chego num hotel e recebo a chave do quarto, uma das primeiras coisas que faço é ver como é o banheiro.
esqueceu de colocar o aparelho na água antes de ligar. Nem preciso dizer que após fazer "PUF"... o troço se incendiou. O fogo começou a subir pelo fio. Jogamos o aparelho dentro da pia e abrimos a torneira. O fogo apagou, mas a fumaça se espalhou. Começamos então a pular, abanar e soprar, feito duas desvairadas, para que o detector de fumaça não fosse acionado. Por sorte, isto não aconteceu. Em segundos, vi a minha vida (futura) passar pela minha cabeça. Já imaginei o William Bonner noticiando a prisão de duas brasileiras que incendiaram um hotel em NY, com um rabo quente. De volta à realidade, vimos que, entre mortos e feridos, saímos ilesas. Em compensação, o rabo quente não prestava mais, assim como secador de cabelos, que apesar de aparentemente intacto, também estava entre as vítimas fatais. Fora isto, a tampa do vaso sanitário que era de plástico branco, ficou chamuscada e ligeiramente amarelada. Limpamos tudo, a fim de apagar as marcas do "crime" e guardamos o rabo torrado no cofre do quarto do hotel. Pra piorar, ficamos sem café da manhã e ainda tivemos que sair, de barriga vazia, para procurar outro rabo quente pelas lojas da cidade. Achamos um, não tão bom quanto o falecido, mas deu para quebrar o galho. Quanto ao torrado, tiramos do cofre e o jogamos numa lata de lixo, no outro lado da ilha de Manhattan. Como podem ver, histórias de banheiros não me faltam. Muitos de nós, pobres mortais do 3º mundo, estamos acostumados ao banho de chuveiro, dentro de um box fechado. No chamado 1º mundo, a coisa muda de figura. E é nos banheiros que posso ver a diferença entre os povos e suas culturas. Já fiquei em hotel em que o banheiro não tem box, somente uma banheira com cortina e com um chuveiro. Outros, que tem a banheira com cortina, mas sem chuveiro. Outros tem banheira com chuveiro, mas sem cortina. E ainda outros que tem banheira, sem chuveiro e sem cortina. Alguns tem box com banheira e outros tantos têm box separado de banheira. Só de ler já deu para confundir? Pois então, imagina na hora de usar.
Eu agradeço a Deus, cada vez que chego num banheiro de hotel em que há um box com um chuveiro para tomar banho. Esta história de banheiras e cortinas é muito complicada.
Pra começar, a não ser que você queira sair do banho e ficar de quatro secando o chão do banheiro, nunca deixe a cortina pra fora da banheira. Mas vocês já são adulto
s... se quiserem testar, depois não digam que eu não avisei. Certa vez, fiquei num hotel em que havia a banheira, sem box, sem cortina e com apenas um duchinha no lugar do chuveiro tradicional. Sem noção! Fiz o serviço completo. Tomei banho, lavei o chão do banheiro, o vaso e até o espelho. Aí ao lado está a prova fotográfica do banheiro miserável....Em alguns hotéis, como se não bastasse ter que lidar com apenas uma cortina na banheira, há cortinas duplas: uma de tecido (pasmem... de tecido) grosso, que fica para dentro da banheira e uma de plástico mais fino que fica para fora da banheira (um exemplo clássico pode ser visto no banheiro marrom, retratado abaixo). Não... eu juro que não foi em Portugal. Pra falar a verdade, foi na Espanha. Em Portugal o banheiro era normalzinho... já o secador de cabelos parecia telefone de orelhão (banheiro azul)
. Deve ser daí que alguns dizem que vão passar um fax quando vão ao banheiro.Falando em telefone, um dos melhores banheiros de hotel que já usei foi o do Hotel Luxor, em Las Vegas. O banheiro era enorme, lindíssimo, tinha uma banheira e um box, separados por uma janela de vidro. O box tinha uma porta de vidro com arremates dourados e ao lado do vaso, havia um telefone fixado na parede, para que a pessoa pudesse atender os chamados do mundo lá fora sem interromper o chamado da natureza. Simplesmente o must! Pena que esqueci de fotografar para a posteridade.
Mas não pensem vocês que o fato de ter box (de vidro ou acrílico) facilita a vida do turista. A primeira vez em que estive em Paris, hospedei-me num hotel em que o box de acrílico era tão minúsculo que quando deixei cair o sabonete no chão, tive que fazer uma prova de contorcionismo para recuperar o maldito sem precisar sair para fora do box.
Na última vez em que estive em Paris, o banheiro do hotel em que fiquei era dividido em duas peças isoladas. Em uma peça estava a pia e a banheira com o chuveiro, enquanto a privada ficava em uma outra peça privada, em que as paredes eram pintadas de lilás. Imaginem... utilizaram-se até da cromoterapia para pintar as paredes. Sim, porque lilás é uma cor relaxante, ou seja, nada melhor para deixar à vontade um intestino preguiçoso. Isso sim é primeiro mundo! Sem contar que a descarga também era inteligente. Se a pessoa fizesse somente o nº 01 apertava um botão que lavava, delicadamente, o interior do vaso sanitário. Se fizesse o nº 02, era só apertar o botão ao lado que cataratas de água levavam tudo em questão de segundos.
Um dos quartos de hotéis mais bizarros que já fiquei foi em São Paulo. Era possível ver TV enquanto se tomava banho. Mas não pensem que tinha TV no banheiro. Não!!! O box (assim como a pia) era dentro do quarto, ao lado da cama. Apenas o vaso ficava numa peça separada. Como o box tinha porta de vidro, e ficava de frente para a TV, entre uma esfregada e outra na cabeça, dava para acompanhar a novela das oito. Aquilo sim é que era, literalmente, um QUARTO DE BANHO.
Pois é... mas turista que é turista conhece as cidades caminhando pelas ruas e utilizando os famosos BA
NHEIROS PÚBLICOS. E esta é, sem sombra de dúvida, uma das categorias mais conhecidas do povo em geral. Em Paris, por exemplo, os toilettes públicos são na rua mesmo. São umas cabines redondas (foto ao lado), pagas e que após o uso do vaso, o assento gira e se higieniza automaticamente. E alguns até tocam musiquinha... Tecnologia de ponta!!!!Se você quer mais do que isto, também em Paris, destaco o banheiro do Museu do Louvre. Primeiro você precisa depositar uma moeda de 50 centavos de euro, para liberar a porta e ter acesso ao vaso. Logo que você desocupa o vaso, uma faxineira local entra para limpar o recinto, enquanto você se dirige às pias e, após lavar as mãos com sabonete líquido, também pode apertar outro dispositivo que libera um perfume. Sim... por 50 centavos você sai do banheiro aliviado e usando um perfume francês. Mas atenção, homens! Se vocês forem esperar a faxineira sair do banheiro masculino, podem comprar um pacote de fraldas, porque a mulher não arreda o pé dali, não importa a quantidade de homens que estejam dentro do banheiro nem o que eles estejam fazendo. Acharam estranho? Isso não é nada. Na famosa Galeria Lafayette há um banheiro unissex. Eu já fui e posso dizer que é muito estranho. O banheiro é normal, com portas fechadas, ou seja, cada um entra na sua portinha e faz seu serviço sujo sem ser incomodado nem ser visto pelos outros, mas é estranho usar o espelho para pintar a boca e, ao olhar para o lado, ver um homem se penteando. Enfim... tudo é questão de cultura.... e mais uma vez eu digo, frequentar banheiro é um programa cultural de primeira classe!
Parques... existem muitos na Europa. Dois banheiros de parques ficaram marcados na minha memória. O primeiro foi o banheiro público do Rathauspark (Parque da Prefeitura), em Viena. Após descer umas escadas escuras, encontrei um homem que me levou até o banheiro. Era só uma pecinha minúscula com um vaso e uma pia. Depois que entrei o homem me trancou por fora. Sabe como é brasileiro... desconfia até da própria sombra. O pensamento, que até minutos atrás estava fixado na bexiga, logo mudou. Só duas coisas me vinham à mente: "Como vou sair daqui?" e pior.... "E se esse homem abrir a porta?" Tudo bem. Larguei tudo no chão e enquanto fazia o que tinha ido ali para fazer, fiquei agarrando a maçaneta com as duas mãos, para não ser pega de surpresa, caso o cara resolvesse dar uma de engraçadinho e abrisse a porta. Para minha tranquilidade, ele não abriu a porta e para sair dali bastou eu girar a maçaneta.
o, mas aberto ao público para visitação: o banheiro dos jogadores do Real Madrid, no Estádio de Futebol Santiago Bernabeu. Não é à toa que os caras são chamados de Galáticos. As pias de aço inox, simplesmente ofuscam os visitantes. Na categoria de banheiros bem-pagos (caros) e mal-pagos (sujos), posso destacar o banheiro público de Veneza. Ao preço de 01 euro, você entrava dentro de um conteiner no qual funcionava

Não sei se vocês sabem, mas na Europa e nos Estados Unidos, não existe banheiro em ônibus de turismo. É proibido por lei. Por este e outros motivos, o motorista dos ônibus de excursão é obrigado a parar nas "casas de serviço" (como costumam chamar os "Grills" da vida) a cada 02 horas ou 02 horas e meia. Portanto, vocês podem imaginar quantos banheiros por aí afora eu já frequentei. Poderia ficar contando histórias de cada um deles, até vocês sentirem dor de barriga, mas não se preocupem... não vou fazer isto.
Vou apenas resumir todas as histórias de BANHEIROS DE PARADOURO numa só. Pra vocês terem idéia, o banheiro era tão incrível que reúne todas as categorias elencadas até agora. O dito cujo era público, pago, temático, matemático, automático e, ainda por cima, interativo. Praticamente, um cinema em 3D. Sem contar que foi uma das provas de fé mais fortes que já passei. Este era o banheiro da aduana localizada na fronteira da Alemanha com a República Tcheca.
Nosso ônibus ficou duas horas "preso" na tal aduana, aguardando que os passaportes fossem carimbados e liberados. Porque, então, não aproveitar para usar o banheiro público e gratuito? Desculpem... eu falei que era pago, não é mesmo? Não era pago em dinheiro... era de pagar os pecados. A interatividade já começava na porta. As pernas das calças tinham que ser levantadas até, praticamente, virarem echarpe. A fila era enorme, mas só no levantar das calças e nos "Oh, my God!" proferidos no interior do banheiro (e que até a última ciratura da fila escutava), dava para fazer conta de cabeça acerca do que teria que enfrentar lá dentro. Cheguei na porta... uau!!! Aquilo sim era banheiro temático... totalmente condizente com o nome do país em que estávamos aguardando para entrar. Era rolo de papel higiênico desenrolado e esparramado pelo chão, uma bagunça generalizada... um verdadeiro banheiro de REPÚBLICA!!! Você deve estar se perguntando pra que as calças foram arregaçadas. Pois então, ao entrar no banheiro, logo entendi a origem do segundo nome do país, porque a quantidade de água (preferi acreditar que era só água mesmo) no chão era tanta, que os sapatos da gente faziam "TCHECO, TCHECO, TCHECO". Se vocês já estão apavorados, lembrem-se... nesta vida, tudo pode piorar!
Lá fui eu, na fila, feito Moisés, atravessando o Mar Vermelho, até chegar a minha vez de usar a privada. Finalmente, a portinha se abriu e uma "japinha" saiu lá de dentro com uma cara assustada! Meti a mão na porta e "Oh my God!"... Fabiane, aperte o cinto... a privada sumiu! No lugar do vaso, apenas um buraco negro no chão, com os lugares marcados para colocar os pés. Olhei para o buraco, o buraco olhou para mim e voilá! A vontade automaticamente sumiu! Isso é que é banheiro automático, hein? Tentei não dar ouvidos ao chamado da natureza, mas ela continuava a gritar comigo. Só podia ser piada ou pegadinha do Faustão! Mesmo em estado de choque, respirei fundo e tentei pensar em algo. Homens, homens, homens.... era só o que me vinha à cabeça. "Oh Deus, custava eu ser homem nesta hora?" Virei para trás e, sem me animar a chegar perto do buraco, olhei para a próxima "felizarda" da fila e, espontaneamente, balbuciei: "Next!"
Por sorte, quando tudo parece perdido, Deus fecha uma porta e abre outra. Enquanto cruzava o "Mar Vermelho" de volta, passei por uma das outras portas, e avistei uma privada de gente normal. Olhei para o vaso e pensei: "Yes, yes, yes!!!!" Olhei para a frente e ... "Oh, shit! no, no, no!!!!".... tenho que voltar pro final da fila. Mas tudo bem, entre idas e vindas dentro do banhado do banheiro, consegui finalmente deixar a natureza tomar seu curso.
Pois é, amigos, estas são apenas algumas histórias sobre o banho cultural que uma simples visita ao banheiro nos proporciona. Gostaria de poder continuar, mas sabem como é... a fila anda e a natureza chama, então "vou-me já que está pingando". Com licença e até a próxima!



3 comentários:
Minha cara Fêibi ... de uma coisa tenho certeza, ninguém jamais deve ter tratado deste tema em seus relatos de viagem! Ineditismo e originalidade a toda a prova, praticamente um banho de imersão na cultura global! A propósito, como se diz rabo quente em inglês? Fiquei curioso ... Rsss ... Beijão!!!
Fabi, só tu mesmo para fazer de uma coisa tão banal, como ir ao banheiro, tornar-se uma história empolgante e engraçada.ADOREI...rs
À propósito dos tais "recintos":
Você consegue manter a gente presa no "trono" por horas (li e reli umas a, b, c, d.. znas de vezes), e a gente (falo por mim, somente, mas deve ter mais gente que pensa que nem eu) a gente, dizia, se entristece ao chegar ao fim... (por isso tantas releituras) com um (in) explicável "vazio" insípido, inodoro e incolor, e paradoxalmente, pleno de sabores, aromas e cores...
Como quem termina o recreio mas não termina a merenda (ou vice-versa)...
Como quem degusta a entrada e pede e espera deferimento, (ôpsss!!!) aliás, pede e espera pelo prato principal...
pede "bis"... quero mais...
O tema não se "esgota" por aí não é Fabi?
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