domingo, 27 de julho de 2008

Só para viajantes

Sou brasileira e rio grandina, mas isto é um mero detalhe. Fazer o que, se a cegonha não aguentou voar até o primeiro mundo e me largou quilômetros abaixo da Linha do Equador?
Antes de mais nada, sou terráquea e cidadã do mundo, por isso sinto a necessidade de cruzar fronteiras, rodar o mundo e viver a vida como ela é, onde quer que eu esteja.
Contrariando a vontade da cegonha, já cruzei a Linha do Equador e os Trópicos de Capricórnio e de Câncer, incluindo idas e vindas, umas 18 vezes. Até o Meridiano de Greenwich já atravessei. Mas tudo isso não interessa, pois são apenas linhas imaginárias que dividem a Terra. O que me interessa são as experiências que tive em cada país que já vivi. As pessoas acham estranho eu falar que já vivi na República Tcheca ou na Alemanha, por exemplo, mas eu não estava morta quando estive lá, então vivi, ora bolas.... o Brasil é apenas minha residência, o lugar onde eu moro.
É claro que, quando viajo, faço programas tipicamente turísticos, como visitar museus, igrejas, parques e até cemitérios. Mas, acima de tudo, assumo uma personalidade camaleônica, pois gosto de me misturar ao povo local, assumir seus hábitos, costumes e me tornar, ainda que temporariamente, uma americana, francesa, belga, etc...
Muitas pessoas, quando viajam, gostam de frequentar ótimos restaurantes. Tudo bem... é muito bom, realmente, mas eu não troco o restaurante mais refinado pela experiência de ter comido um cachorro quente, tipicamente americano (pão com salsicha e molho apimentado), sentada na escadaria do Museu de História Natural, em New York. Nem pelo maravilhoso pão com linguiça que degustei, numa bela tarde de domingo, sentada numa praça no centro histórico de Praga, na República Tcheca.
Ir a Veneza e não andar de gôndola, realmente não tem graça. Claro que não poderia deixar de fazer este programa, afinal, eu sou turista, mas na tentativa de me sentir nativa, também não abri mão de almoçar sentada na Piazza San Marco, espantando os milhões de pombos que tentaram roubar minha comida e tapando o copo do refrigerante com uma das mãos, para que ele não fosse alvo do bombardeio aéreo dos pombinhos.
Fazer um passeio de barco pela Baía de San Francisco, ver a ponte Golden Gate... tudo isso eu fiz, como boa turista que se preze. Ficar de biquíni numa movimentada praça no centro de San Francisco, só para apanhar sol.... isso eu não fiz (porque não estava de biquíni por baixo das roupas), mas sentei na praça para apreciar os costumes tipicamente locais.
Subir na Torre Eiffel e visitar o Museu do Louvre: programas indispensáveis para o turista que vai a Paris. Sentar numa cadeira do Jardim de Luxemburgo, apenas para ler um livro ou, então, comprar uma baguete, colocá-la debaixo do braço e sair comendo pela rua: programas indispensáveis para o parisiense. Eu aconselho... os quatro programas.
Não tenho hábito de ir a missas, mas se me perguntarem porque fui assistir uma missa, num domingo de manhã, na Catedral de Notre Dame, minha resposta é apenas uma: para viver a experiência!
Em Londres, já estive no Big Ben e no Palácio de Buckingham, entre tantos outros pontos turísticos, mas também já deitei na grama verde dos belos jardins do Regent's Park, no meio de um incontável número de londrinos, apenas para descansar e saber o que eles sentiam ao fazer isso... e posso dizer... isso é que é vida!
Em New York, já enfrentei fila para assistir espetáculo na Broadway e para subir no topo do Empire State, mas também já fiquei na fila de uma delicatessen só para saber qual é a graça de comprar um chocolate quente e sair tomando pela rua, como os americanos tanto costumam fazer. Tenho que admitir... tem um gosto especial. Também na Big Apple, já enfrentei fila em supermercado para comprar pão, frutas, refrigerante, sabonete Palmolive e pasta de dente Colgate. Isso é viver a vida como ela é...
Galerias Lafayette, Harrod's, Macy's, lojas de grife, lojas de souvenires.... sou frequentadora assídua, como todo turista. Farmácia, ferragem, padaria, livraria, casa lotérica, floricultura, mercado de pulgas... também sou frequentadora assídua, como todo nativo da cidade.
Já fiz passeio turístico em cemitério e, ao mesmo tempo, aproveitei para assistir um enterro que estava acontecendo naquele exato momento. Vocês devem estar achando que eu sou sem noção, né? Muito pelo contrário... vocês têm noção do que é ter a chance de vivenciar coisas do dia-a-dia em outro país? Pra mim, é como tirar na loteria! Não tem quem vá a Paris e não volte contando sobre seu passeio pelo Sena, sua visita ao Arco do Triunfo, etc.... Mas quantos vocês conhecem que já presenciaram um enterro na capital francesa?
Nesse misto de turista e nativa...
... não só aplaudi o Fantasma da Ópera, como também já gritei no meio de um protesto contra a crueldade a animais, em frente ao Madison Square Garden
... tomei maravilhosos cafés da manhã pelos hotéis em que me hospedei, mas também já paguei por um café da manhã, regado a burritos, num McDonald's da vida
... já enfrentei metrô em horário de pico
... andei em ônibus de linha, em Praga, sem entender patavinas do idioma tcheco
... enfrentei greve geral de transportes, em Amsterdam
... presenciei atropelamento em Berlim
... presenciei o incêndio de um prédio e uma perseguição policial em New York
... dei informações a turistas perdidos
... dei esmolas a necessitados
... fui abordada no calçadão de Lisboa para participar de uma entrevista sobre o governo português
... liguei televisão para assistir noticiário alemão...
Fora tantas outras coisas que não lembro, não por serem sem importância, mas sim por serem coisas simples do cotidiano e que, normalmente, não fazem parte da rotina de um turista comum.
Viajar é tudo de bom, fazer compras é uma delícia e voltar com duas malas de 32kg, cada uma, estribuchando de coisas é fácil, fácil para qualquer turista, mas na minha opinião, além disso, o principal é voltar carregada de histórias e experiências, bagagens estas, que jamais serão cobradas pelo seu excesso e que, acima de tudo, não correm o risco de serem extraviadas no primeiro aeroporto que aparecer.
Pense nisso! E se você tiver a oportunidade de botar o pé na estrada, correr o mundo, cruzar fronteiras, não desperdice esta chance, afinal, TUDO VALE A PENA SE A ALMA (E A MALA) NÃO É PEQUENA!!!

domingo, 20 de julho de 2008

Só para amigos

Queridos Amigos Reais e Virtuais:
Vocês foram inseridos em minha vida como um novo documento em branco e, aos poucos, foram sendo formatados, um a um, cada um com suas propriedades, cada um na sua versão, cada um ao seu jeito.
Apesar de nenhum de vocês ser uma cópia pirateada, bastou o primeiro "clic" para todos me infectarem com seus vírus.... seus vírus de amizade.
Uns chegaram de mansinho, passo a passo. Outros, pegaram um atalho. Alguns foram copiados e colados, outros arrastados e outros, ainda, foram simplesmente transferidos para o meu ambiente. Mas todos, a seu "modem", arranjaram um "(e-)mail" de deixar sua marca d'água e causar uma boa impressão.
Muitos estão ausentes, outros vivem ocupados... Mas de que me importa seus status, se todos estão gravados na minha memória?
Muitos de vocês são documentos compartilhados, outros são de acesso exclusivo. Alguns estão armazenados entre as minhas melhores imagens, outros, entre as minhas melhores músicas, mas todos, sem exceção, estão gravados na minha pasta de favoritos!
Além de meus amigos, vocês são também meu centro de ajuda e suporte, meus melhores utilitários.
Uns me fazem rir, quando estou "page down".
Outros me atualizam quando estou por fora das novidades.
Alguns movimentam minha vida quando estou em pause.
Alguns de vocês até inserem cor, quando tudo parece negro.
E outros, até me ensinam a ter paciência quando estou prestes a explodir feito um campo minado.
Não me importa seus layouts, seus históricos, suas pastas de origem e nem o modo como vocês foram instalados na minha vida, o que importa é que deixaram de ser um simples rascunho e foram salvos na minha pasta da AMIZADE. Todos deixaram de ser colegas, ou simples conhecidos, e foram renomeados como AMIGOS.
Podemos quebrar as páginas, desfazer ações, recortar imagens, excluir palavras... mas basta uma simples limpeza de cabeças ou uma estabilizada na voltagem, para deletarmos nossas diferenças e voltarmos a operar no modo normal. Não há "enter" que nos separe, nem lixeira que nos amedronte.
Amigos são assim... cada um segue o cursor da sua vida, sem, no entanto, deixar de ter acesso, ainda que remoto, à vida do outro.
Não existe uma fórmula pré-estabelecida para a amizade. A barra de ferramentas é a mesma para todos. Cabe a cada usuário definir o acesso e os padrões do programa, pesquisar, editar, selecionar, classificar e, assim, configurar sua própria fórmula.
O que importa é arquivar amigos, gravá-los em suas memórias e conectá-los, diretamente, no coração de seus sistemas, a fim de que vocês possam operar em rede de segurança.
Uma vez armazenados em seus bancos de dados, basta abrirem a pasta AMIZADE e acessarem seus contatos periodicamente.
Eckart Wintzen, um famoso, porém já falecido, empresário holandês, costumava dizer que conectar computadores é um trabalho, mas conectar pessoas é uma arte, portanto, se vocês querem adicionar mais e mais amigos em sua pasta de contatos, insiram sentimento e adicionem sinceridade em tudo o que vocês fazem.
Não permaneçam off-line por muito tempo, pelo contrário, estejam sempre em stand by, sempre prontos a ajudar.
Seguindo estas dicas, com certeza, suas redes de amigos será cada vez maior e mais sólida, como a minha.
Esta postagem não é uma dessas correntes que vocês têm que passar para meio mundo e, inclusive, me mandar de volta. Muito menos é uma cópia somente de leitura. Esta postagem, nada mais é do que a desfragmentação de sentimentos do meu disco rígido, popularmente chamado de coração.
Tenham certeza que, mesmo no dia em que eu estiver completamente obsoleta, nunca vou deletar vocês da minha memória.
É por isso que, em negrito e em itálico, desejo-lhes um FELIZ DIA DO AMIGO!
Beijos e Abraços, ou melhor, Bits e Bytes a todos!!!!!!!!!!

domingo, 13 de julho de 2008

Só para mulheres

Em plena escassez de homens no mercado mundial, deveríamos ficar contentes se arranjássemos um "Gasparzinho, o fantasminha camarada" para nos fazer companhia, mas ainda existem mulheres que sonham em fisgar "O homem de seis milhões de dólares".






Ora, amigas, o dinheiro compra casa própria, carro importado, casaco de vison e perfume francês, mas não compra a nossa felicidade. Então, me digam, pra que vocês querem um homem rico? Não que eu esteja lhes aconselhando a disputar um pobre a tapa (isso sim é coisa de pobre), apenas lhes digo que não se contentem com o 08 e nem sonhem com o 80. Vivam, sim, na realidade, façam a média aritmética entre os dois números e prefiram o cara ideal.... o homem classe média.






O homens ricos são objetos de desejo, enquanto que os pobres são vítimas de despejo. Já o homem "mediano" é um guerreiro, pois luta para ser desejado e não ser despejado.






Se você chegar numa festa com um milionário do seu lado, todas suas amigas e as amigas de suas amigas, vão ficar de olho nele e no bolso dele. Se for acompanhada de um pobretão, todas suas amigas e as amigas de suas amigas ficarão com um olho nele e outro na própria bolsa, com medo de que ele possa roubar alguma coisa. Mas, se você chegar com um cara de classe média, comunzinho, poderá curtir a festa sem ninguém lhe incomodar e sem se incomodar com os olhares alheios.





O rico, em geral, é sócio de vários clubes e tem mania de fazer programas culturais, como frequentar vernissages, leilões de obras de arte, etc.... O pobre, por sua vez, só tem carteirinha da FUNAI, pois é capaz de dar o único dente cariado que tem na boca, pra fazer um programa de índio, não importa se é uma quermesse em colégio ou um bingo beneficente da igreja. Já o homem classe média, além dos culturais e dos indígenas, ainda faz programas normais e populares, como passear no parque, ir ao cinema, etc...






Os homens medianos casam e, para comemorar a ocasião, fazem uma festa de acordo com suas posses. Os ricos, no entanto, organizam uma festa de arromba para comemorar seu enlace matrimonial. O pobre, coitado, simplesmente junta os trapos, sem festa nenhuma, pra não ficar com um rombo maior do que o já existente.






Falando em casamento, imaginemos, agora, como seria a convivência com cada um dos três tipos de homem em questão.




O rico desperta pela manhã, alonga o corpo, ergue-se de seu colchão de molas, dirige-se a sua suíte master, banha a face, escova as madeixas e se senta à mesa de vidro bisotê, para ingerir seu farto desjejum, regado a brioches, croissants, salame italiano e queijo brie, uma chávena de chá inglês, um copo (de cristal Baccarat) de leite integral e um cálice (de cristal de Murano) de suco de laranja natural. Credo... quanta frescurite!





O pobre arregala os olhos pela manhã, se contorce todo, estalando os ossos do corpo, levanta o esqueleto do estrado da cama, se arrasta até à "casinha", jogua água na cara, passa um pente nas "quilinas", puxa um mochinho para perto da mesa e vai engolir o seu minguado café, regado a um pedaço de pão dormido com "mortandela", uma "xícra" (lascada e sem asa) de chá de folha de boldo (amassada de véspera), um copo (daqueles de requeijão, ainda com o rótulo) de leite desnatado (que mais parece uma água suja) e outro copo (de "prástico") de kisuco de laranja. Misericórdia! Valei-me São Robin Hood, que visão do inferno!





O sujeito classe média, por sua vez, acorda pela manhã, espreguiça-se, levanta o corpo de seu colchão de espuma, vai ao banheiro, lava o rosto, penteia os cabelos, puxa uma cadeira e senta à mesa para tomar um bom café da manhã, com pão francês, queijo e presunto, uma xícara de chá preto, um copo (Nadir Figueiredo) de leite semi-desnatado e uma taça de suco de laranja em caixinha. Ah.... finalmente alguém normal na face da Terra!!!




Ricos são cheios de frescura mesmo... além de viverem de dieta, ou melhor, em sistema de reeducação alimentar, só vão a restaurantes finos, onde servem escargots, lagostas e todos aqueles pratos que mais parecem obras de arte do que comida.




Pessoas de classe média, estas sim, fazem dieta. Apesar disso, gostam de frequentar bons restaurantes e não apenas para comer caracol nem siri, mas, também, para provar comidas de verdade, com sustança, ricas em cálcio, vitaminas e sais minerais.




Os pobres, tadinhos, fazem economia, então não podem se dar ao luxo de ir a um restaurante comer lesma nem sardinha. E, se tem a oportunidade de ir, vão aos lugares especializados no sistema de bandejão do buffet por quilo.




Aliás, também é bom lembrar que, diferentemente dos homens medianos, que mastigam os alimentos, os ricos deglutem as refeições e os pobres engolem os engasga-gatos.




Na verdade, ricos e pobres, apesar dos vários zeros que os distingue, são pessoas que levam uma vida sem graça, pois ambos só sabem apreciar as coisas ao seu redor. Os ricos, por exemplo, são montados na grana e só apreciam bons vinhos, boas músicas, boas roupas, etc... Os pobres, por sua vez, podem até gostar de bons vinhos, boas músicas, boas roupas, mas como não tem dinheiro para comprar, ficam só apreciando. O classe média não só aprecia mas, se for preciso, dá um cheque voador para tomar bons vinhos, ouvir boas músicas e comprar boas roupas. Isso é que é vida!!!





Rico também tem umas manias chatas. Vive malhando, cuidando do corpo. Se tem uma "barriga de tanquinho", é sarado. Se tem uma barriguinha saliente, logo dá a desculpa de que é gordura localizada. Pobre não tem tempo nem dinheiro pra cuidar do corpo e também não malha, pelo contrário, só é malhado. Além disso, só tem barriga de tanquinho quando fica na beira do tanque lavando roupas e, se tem uma barriguinha saliente, não tem desculpa... é vermes. Já os privilegiados representantes da classe média podem ter gordura localizada, vermes, "barriga de tanquinho", "barriga de cerveja", pneus, gases, etc... mas a única desculpa que inventam é a de que tudo não passa de excesso de gostosura.




Fora isto, rico vive sempre no seu mundinho e prefere exsudar na sua própria academia de ginástica, enquanto o cara classe média gosta de conviver com outras pessoas, por isso, prefere transpirar na academia mais badalada da cidade, mesmo que tenha que fazer uma ginástica com o dinheiro para pagar a mensalidade. E os pobres? Os infelizes já suam feito uns porcos, fazendo ginástica e malabarismo com o pouco que ganham para sobreviver, então, academia nem pensar.




Se você sonha em formar família com um homem, morar numa casa de tijolinho à vista, com uma linda cerquinha de madeira, pintada de branco, um jardinzinho cheio de amores-perfeitos e neste belo cenário criar seus filhos e, além disso, ter um carro popular na garagem e um cachorro dálmata no quintal, procure um homem classe média com urgência.




Ricos não formam famílias, formam clãs. Se você casar com um rico, irá residir numa mansão revestida com tijolos vindos das pirâmides do Egito, não terá a sua bela cerquinha branca de madeira, mas sim um muro alto de tijolos e uma cerca elétrica. E pode esquecer, também, seu jardinzinho com amores-perfeitos, pois não haverá espaço para eles entre os filodendos e calatéias. Ricos também não tem filhos, mas sim prole, herdeiros. Você não terá um nem dois carros na garagem, terá vários, todos blindados, mas nenhum será o carro popular que você tanto sonhou. Ao invés de um dálmata, você terá um Podengo Ibicenco montando guarda em seu quintal. Pense nisso....




Mas não esqueça de pensar também no homem pobre... ele não forma família, não tem filhos. Pobre se arranja com uma mulher e dá cria. Com ele, sua casa não terá um muro, nem uma cerca elétrica, mas também não terá sua cerquinha branca. Terá um alambrado feito de garrafas pet, cheias de areia grossa. Um puxadinho modesto (de apenas 02 cômodos), revestido de latas de óleo será o lar, doce lar, de vocês. No lugar do jardim, apenas um areial com várias espécies de ervas daninhas, rosetas e pega-pegas. Sob o alpendre, um fuscão preto, ano 68, sem uma das rodas, comido pela ferrugem e, no fundo do quintal, amarrado a um fio de luz, um cusco sem raça definida, cruza de pastor alemão made in China com poodle toy paraguaio, que mais parece o urso do cabelo duro que acabou de escapar de um tornado.





Se você curte viajar, também recomendo o cara classe média, ou melhor, classe executiva. O negócio dos ricos é fazer viagens de negócio ou para destinos exóticos como Butão ou o Monte Everest. E sempre instalados na primeira classe das mais modernas aeronaves, degustando caviar e bebendo champagne. O classe média, o que vive de acordo com a realidade, gosta de viajar para lugares turísticos conhecidos, como Paris, New York, nordeste brasileiro, etc... Se puder, viaja de classe executiva e aproveita para comer um bom frango grelhado acompanhado de um cálice de vinho. Já o pobre, bem... pra começar, pobre só viaja na maionese. Os que tem alguma economia guardada embaixo do colchão, preferem massacrar a coluna, por horas, dentro de um ônibus semi-leito, enchendo a cara de "cocretes" caseiros e uma latinha de baré-cola, do que comprar uma passagem na classe econômica de um avião.






Se, ao invés de viajar, seu passatempo favorito é jogar, não tem como o homem classe média para lhe acompanhar. Ricos não tem passatempos, tem hobbys. E entre uma partida de golfe e outra, jogam seu dinheiro fora com bobagens como um relógio Rolex, um terno Armani ou uma Ferrari.


O pobre tem carnês para pagar, ou seja, não tem tempo para passatempos e acha que hobby nada mais é do que aquele chambre de seda que os ricos usam. O único jogo que lhe interessa é o jogo do bicho, que no final das contas, é a única chance de ganhar algum troco extra para o leitinho dos moleques.


Os classe média jogam de tudo um pouco... jogam stop, banco imobiliário, baralho, conversa fora, dinheiro para o alto e charme para cima da mulherada.







Por último, mas não menos importante, lembre-se que todos os homens, independentemente de suas classes sociais, são humanos e, portanto, erram. Digo, homens classe média erram. Ricos se equivocam e pobres se atrapalham com as idéias e dão nó na cuca. Ricos cometem gafes, pobres pagam mico. Ricos tem crises de indignação, pobres armam barracos. Então, porque não ficar somente com os caras que simplesmente erram?






Bom, o alerta está feito! Se ainda assim, você é do tipo que quer passar a vida comendo foie gras com champignon, dando ordens à criadagem, sendo assolada pelo medo de assaltos, jogando xadrez e visitando os filhos no colégio interno na Suíça, pegue seu cofrinho ambulante e tudo de bom, mas lembre-se, dinheiro em excesso não é sinônimo de felicidade.







Se, ao contrário, quer passar a vida comendo guisado de cebola com salsicha, recebendo ordens de despejo, sendo assombrada pelo medo de ser confundida com um assaltante (correndo o risco de acabar no xadrez) e tendo que passar a noite na fila, para conseguir uma vaga pro seu filho, num colégio de 5ª categoria, abrace o pobre mais próximo e seja o que Deus quiser, mas lembre-se, a falta de dinheiro é antônimo de felicidade.






Agora, se você ouviu meus conselhos e não se importa de passar o resto de sua vida comendo bife a cavalo com ovo "estrelado", dando ordens à faxineira, recebendo ordens de seu patrão, preocupada com o assalto que é o preço daquela camisa xadrez que você tanto quer e tendo que ir à reunião de pais e mestres na escola do seu filho, então, o cara classe média é o homem dos seus sonhos. Neste caso, minha amiga, entre na fila, atrás de mim e boa sorte, mas lembre-se, dinheiro não compra a felicidade, mas compra um lugar na fila.
























































































domingo, 6 de julho de 2008

Só para homens

TPM... Vocês, homens, devem se perguntar como três inofensivas consoantes podem causar tanto estresse na vida de uma mulher e, consequentemente, nas suas também.



Pois hoje, vou lhes contar tudo o que vocês sempre quiseram saber sobre a TPM, mas tiveram "medo" de nos perguntar, mas prestem atenção porque estou na TPM e não vou ficar repetindo tudo feito papagaio de pirata, ok? Também não vou dar nenhuma explicação científica. Se vocês faltaram a esta aula de biologia, quando estavam no colégio, azar de vocês.
Aos leigos de plantão, TPM significa Tensão Pré-Menstrual, ou seja, é aquele período do mês em que nós, mulheres, ficamos com nosso nível de Tolerância Pelas Medidas. Alguns engraçadinhos, no entanto, resolveram apelidar nossa tensão de pré-monstrual, pois alegam que somos uma espécie de lobisomem e que, assim como este se revela monstro a cada lua cheia, nos transformamos em monstros mensalmente. Que audácia! Como podem baixar nossa auto-estima desse jeito, nos comparando a um monstrinho furreca e pulguento feito o lobisomem? No mínimo, tínhamos que ser comparadas ao Predador ou ao Alien.
É fato que a medicina já comprovou a ocorrência de 180 sintomas associados à TPM, então, homens, por favor, a não ser que gostem de viver perigosamente, para o bem de vocês, não queiram ser o nosso sintoma de número 181.
Se você, homem (pai, filho, namorado, marido, amante, amigo, colega, vizinho, chefe, subalterno, etc...), acha que é a grande vítima da nossa TPM, imagine o que é para nós, termos uma espécie de dupla personalidade e irmos do céu ao inferno, uma vez por mês.
Quando a TPM chega, um dos piores sintomas que se manifesta é o EFEITO ESTUFA. É um tal de incha peito, incha perna, estufa barriga. É um horror... acho que se encostarmos na ponta de uma agulha é bem capaz de sairmos voando descontroladamente, feito balão estourado. A retenção de líquidos pelo organismo é um dos principais causadores deste inchaço todo. Como se já não tivéssemos a infelicidade de andarmos mais infladas que balão surpresa em dia de festa e tão cheias de líquido quanto um barril da festa do chopp, não podemos nem nos dar ao luxo de sair por aí, torrando o dinheiro em roupas novas, porque o nosso manequim também estufa.
Que é? Está rindo do que, homem? A não ser que você queira saber o que é ter um nariz ou um olho inchado, é melhor ir fechando esta sua boca cheia de dentes e continuar a leitura.
IRRITABILIDADE: este é o mais famoso sintoma da síndrome. Em época de TPM, ao invés de colares, deveríamos usar no pescoço, uma plaquinha com o seguinte aviso: "PERIGO, ALTA TENSÃO!!!", pois os ataques de fúria são frequentes e incontroláveis. Tudo, por mínimo que seja, nos faz explodir como uma legítima mulher-bomba. Basta lascarmos meio milímetro do esmalte transparente da unha do dedo mínimo do pé, para liberarmos a Cruela Devil que, até então, estava bela adormecida em nós.
O que vocês, homens, têm que entender, é que mesmo sofrendo com a TPM, não mudamos nossos hábitos, pois continuamos fazendo tudo o que sempre fizemos. O que ocorre é que, graças à tsunami de hormônios que nos afoga mensalmente, o que mudam são nossas atitudes. Se num dia normal, corremos para a janela para ouvir os pássaros cantar, quando estivermos na TPM também correremos para a janela, ainda que levemos uma espingarda para calar de vez o bico das malditas aves "sujadoras" de calçadas, que começam a cantar antes do sol dar as caras.
E a DOR DE CABEÇA? Essa é companhia fiel da mulher com TPM. De manhã você já levanta com uma tremenda dor e com a impressão de que passou a noite com a cabeça rodopiando feito aquela cena do filme "O Exorcista". E pode tomar remédio até empurrar com os dedos, porque não tem comprimido, gota, drágea, cápsula, flaconete, supositório, ou seja lá o que, que alivie a maldita dor. E o que mais dói é você achar que vai deitar e a dor vai para as cucuias, e ao acordar no dia seguinte, perceber que ela ainda está lá, firme e forte, literalmente.
Mas dor de cabeça é uma bênção, se comparada às tais CÓLICAS. Essas são pra matar!!! Vocês, homens, nunca iam aguentar isso. É como se estivéssemos entrando em trabalho de parto, todos os meses, com direito a algumas contrações e horas seguidas de dor, só que, ao invés de irmos para o hospital mais próximo e termos a felicidade de tomar uma anestesia na espinha, temos que trabalhar, fazer compras no supermercado, enfrentar as filas dos bancos... e sempre com aquele sorrisinho ridículo de Monalisa no rosto, fingindo que estamos numa boa, desfilando na Marquês de Sapucaí. Sem contar que junto com a cólica vem a dor nas costas, a dor nas pernas, o enjôo, a dor no estômago, o suador, o calafrio, a queda de pressão, o desconforto, etc... A sensação que se tem é a de que se enfiarmos um facão na barriga a dor será muito menor do que a que estamos sentindo.
E vocês ainda acham que nós somos o sexo frágil? Ah... pelo amor de Deus! Se estamos fragilizadas, é por culpa dos hormônios que ficam enlouquecidos dentro de nós. Se existem homens que nos entendem e nos amam quando estamos na TPM, são os donos de farmácias, porque é nesta época que compramos todo o estoque de lenços de papel, para secarmos as nuvens de lágrimas que pairam sobre nossos olhos e provocam CRISES DE CHORORÔ COMPULSIVAS.
Ora bolas, se retemos tanto líquido, por algum lugar ele tem que sair. É por isso que durante a TPM choramos tanto... e tanto sem nenhum motivo quanto por algum motivo besta. O término da carga de uma caneta, por exemplo, é comparado ao fim do mundo. E dê-lhe choro!!! Ouvir músicas então, nem se fala, é melhor manter o rádio desligado para evitar uma enchente. Nem o tal de "Créu" (que chamam de música), se escapa. Se bem que aquilo ali é de chorar, quebrar o rádio a pauladas e cortar os pulsos... e nem precisa estar na TPM.
Apesar de, uma vez ao mês, vivermos como uma bomba-relógio prestes a ser detonada, não perdemos nossa doçura, pois graças aos nossos adoráveis hormônios, temos a gana de comer tudo o que é doce que vemos pela frente. E quando eu digo tudo, é tudo mesmo... desde uma ingênua balinha de goma até uma simples lata de leite condensado. E, se for possível, jogamos a ingênua balinha pra dentro da simples latinha do leitinho condensado e ainda misturamos a uma boa gemada, para dar consistência e deixar a mistureba doce de arrepiar os pêlos do corpo e com bastante sustança. O problema todo é que, depois, quando vemos nosso peso na balança, a ingenuidade da balinha passa para nós, pois ficamos achando que tudo não passa de inchaço. E aí, adivinhem? Das duas uma: ou surtamos e quebramos a balança a pauladas ou sentamos e choramos... desta vez, com motivos.
Fora a agressividade, a irritabilidade, a ansiedade, as alterações de humor, a insônia, a apatia, o raciocínio lento, o estado nervoso abalado, o inchaço, a fadiga, a compulsão por doces, a depressão e outros cento e tantos sintomas, ainda temos que fingir que estamos zen.
E aí, vão me dizer que ainda acham que TPM é invenção da nossa descontrolada cabeça?
Se vocês, homens, ainda não conseguiram visualizar a questão desse mal que nos abala, vou lhes dar exemplos práticos do que a TPM faz com as mulheres no dia-a-dia. Se você se identificar, saiba que qualquer semelhança é mera coincidência.
1. Você leva sua namorada ao cinema e, já na entrada, ela pede para você comprar 02 pacotes de pipoca doce, 03 sacos de bala e 04 latinhas de refrigerante, tudo para ela comer e beber enquanto espera na fila. Meu amigo... ou ela está com uma solitária daquelas (aliás, solitária não, deve ter um condomínio inteiro dentro daquela pança enorme, que ela diz que é inchaço) ou ela está na TPM. Na dúvida, não contrarie, nem peça um golinho de refri, pois ela pode virar bicho e querer comer o seu fígado!
2. São 13h30min e você está no serviço, quando percebe que o maior temporal está se armando lá fora. Inocentemente, olha para a sua colega do lado e diz: "Puxa, parece que vai chover!". A criatura começa a chorar compulsivamente porque não levou uma sombrinha e, quando sair, às 19h vai estragar a chapinha que fez no cabelo (qualquer semelhança é coincidência, lembrem-se...). Ah, colega... se ela não for depressiva por natureza, ela está na TPM. Se você não tiver um guarda-chuvas para emprestar para a mulher, não tente dizer que o tempo vai melhorar, porque será pior, mas tenha à mão uma caixa de lenços de papel para oferecer à coleguinha chorona.
3. Você e sua mulher estão passeando de carro e, ao parar no sinal vermelho, você comenta, inocentemente, com ela sobre a enorme foto da Gisele Bündchen, de lingerie, que está estampada no outdoor em frente. Imediatamente, sua mulher lhe lança aquele olhar fulminante e começa a espumar feito cão raivoso. Cruzes, tenho pena de você, maridão! Rezo para que você tenha casado com a noiva do Chucky, senão, sua mulher está na TPM. Neste caso, rezarei pela sua alma.
4. Você vai visitar sua irmã, que mora em outra cidade. Ao chegar lá, você olha para ela e diz: "Puxa, como você está bem, cheia de vida!" Sua irmã entende que você quis lhe dizer: "Puxa, meu bem, o que você fez da vida, que está cada vez mais cheia?" e lhe bota porta afora. Sinto em dizer, mano, mas ou sua irmã é a ovelha negra da família ou, na melhor das hipóteses, ela está na TPM. Não diga mais nada, porque além dela estar de cabeça inchada, você também corre o risco de sair de lá de olho inchado.
5. Mulher no volante é perigo constante. Certo? Errado! Mulher, com TPM, no volante, isso sim é perigo constante. Você pega carona com uma amiga. Quando chega na faixa de segurança, surge uma velhinha com um andador. Sua amiga freia e faz sinal para a senhora passar. A senhora começa a atravessar, vagarosamente. Sua amiga começa a acelerar e, "sem querer", passa por cima da idosa, sem dó nem piedade... e ainda dá uma gargalhada assustadora. Meu amigo! Ou você está nos bastidores do filme Velozes e Furiosos ou sua amiga está na TPM. Se você tem amor a sua vida e não quer servir de testemunha na delegacia, invente uma desculpa e peça para descer na próxima esquina.
Bom, acho que deu para vocês terem uma noção do que a TPM faz conosco e no que ela nos transforma, mas se ainda tiverem alguma dúvida, não se acanhem em perguntar, que eu lhes respondo.
Portanto, homens, se vocês gostam de adrenalina pura, vão saltar de pára-quedas, praticar bungee jump, cutucar a onça com vara curta, ver o circo pegar fogo, mas por favor, não nos provoquem... pelo contrário, sejam sempre gentis, educados, prestativos e, se vocês gostam dos seus dentes, tenham sempre cautela ao lidar com mulheres à beira de um ataque de nervos.
Entenderam ou querem que eu desenhe???
P.S: Homens... todos da minha vida... não fiquem brabos comigo, vocês sabem que, com ou sem TPM, eu amo todos vocês!