domingo, 13 de julho de 2008

Só para mulheres

Em plena escassez de homens no mercado mundial, deveríamos ficar contentes se arranjássemos um "Gasparzinho, o fantasminha camarada" para nos fazer companhia, mas ainda existem mulheres que sonham em fisgar "O homem de seis milhões de dólares".






Ora, amigas, o dinheiro compra casa própria, carro importado, casaco de vison e perfume francês, mas não compra a nossa felicidade. Então, me digam, pra que vocês querem um homem rico? Não que eu esteja lhes aconselhando a disputar um pobre a tapa (isso sim é coisa de pobre), apenas lhes digo que não se contentem com o 08 e nem sonhem com o 80. Vivam, sim, na realidade, façam a média aritmética entre os dois números e prefiram o cara ideal.... o homem classe média.






O homens ricos são objetos de desejo, enquanto que os pobres são vítimas de despejo. Já o homem "mediano" é um guerreiro, pois luta para ser desejado e não ser despejado.






Se você chegar numa festa com um milionário do seu lado, todas suas amigas e as amigas de suas amigas, vão ficar de olho nele e no bolso dele. Se for acompanhada de um pobretão, todas suas amigas e as amigas de suas amigas ficarão com um olho nele e outro na própria bolsa, com medo de que ele possa roubar alguma coisa. Mas, se você chegar com um cara de classe média, comunzinho, poderá curtir a festa sem ninguém lhe incomodar e sem se incomodar com os olhares alheios.





O rico, em geral, é sócio de vários clubes e tem mania de fazer programas culturais, como frequentar vernissages, leilões de obras de arte, etc.... O pobre, por sua vez, só tem carteirinha da FUNAI, pois é capaz de dar o único dente cariado que tem na boca, pra fazer um programa de índio, não importa se é uma quermesse em colégio ou um bingo beneficente da igreja. Já o homem classe média, além dos culturais e dos indígenas, ainda faz programas normais e populares, como passear no parque, ir ao cinema, etc...






Os homens medianos casam e, para comemorar a ocasião, fazem uma festa de acordo com suas posses. Os ricos, no entanto, organizam uma festa de arromba para comemorar seu enlace matrimonial. O pobre, coitado, simplesmente junta os trapos, sem festa nenhuma, pra não ficar com um rombo maior do que o já existente.






Falando em casamento, imaginemos, agora, como seria a convivência com cada um dos três tipos de homem em questão.




O rico desperta pela manhã, alonga o corpo, ergue-se de seu colchão de molas, dirige-se a sua suíte master, banha a face, escova as madeixas e se senta à mesa de vidro bisotê, para ingerir seu farto desjejum, regado a brioches, croissants, salame italiano e queijo brie, uma chávena de chá inglês, um copo (de cristal Baccarat) de leite integral e um cálice (de cristal de Murano) de suco de laranja natural. Credo... quanta frescurite!





O pobre arregala os olhos pela manhã, se contorce todo, estalando os ossos do corpo, levanta o esqueleto do estrado da cama, se arrasta até à "casinha", jogua água na cara, passa um pente nas "quilinas", puxa um mochinho para perto da mesa e vai engolir o seu minguado café, regado a um pedaço de pão dormido com "mortandela", uma "xícra" (lascada e sem asa) de chá de folha de boldo (amassada de véspera), um copo (daqueles de requeijão, ainda com o rótulo) de leite desnatado (que mais parece uma água suja) e outro copo (de "prástico") de kisuco de laranja. Misericórdia! Valei-me São Robin Hood, que visão do inferno!





O sujeito classe média, por sua vez, acorda pela manhã, espreguiça-se, levanta o corpo de seu colchão de espuma, vai ao banheiro, lava o rosto, penteia os cabelos, puxa uma cadeira e senta à mesa para tomar um bom café da manhã, com pão francês, queijo e presunto, uma xícara de chá preto, um copo (Nadir Figueiredo) de leite semi-desnatado e uma taça de suco de laranja em caixinha. Ah.... finalmente alguém normal na face da Terra!!!




Ricos são cheios de frescura mesmo... além de viverem de dieta, ou melhor, em sistema de reeducação alimentar, só vão a restaurantes finos, onde servem escargots, lagostas e todos aqueles pratos que mais parecem obras de arte do que comida.




Pessoas de classe média, estas sim, fazem dieta. Apesar disso, gostam de frequentar bons restaurantes e não apenas para comer caracol nem siri, mas, também, para provar comidas de verdade, com sustança, ricas em cálcio, vitaminas e sais minerais.




Os pobres, tadinhos, fazem economia, então não podem se dar ao luxo de ir a um restaurante comer lesma nem sardinha. E, se tem a oportunidade de ir, vão aos lugares especializados no sistema de bandejão do buffet por quilo.




Aliás, também é bom lembrar que, diferentemente dos homens medianos, que mastigam os alimentos, os ricos deglutem as refeições e os pobres engolem os engasga-gatos.




Na verdade, ricos e pobres, apesar dos vários zeros que os distingue, são pessoas que levam uma vida sem graça, pois ambos só sabem apreciar as coisas ao seu redor. Os ricos, por exemplo, são montados na grana e só apreciam bons vinhos, boas músicas, boas roupas, etc... Os pobres, por sua vez, podem até gostar de bons vinhos, boas músicas, boas roupas, mas como não tem dinheiro para comprar, ficam só apreciando. O classe média não só aprecia mas, se for preciso, dá um cheque voador para tomar bons vinhos, ouvir boas músicas e comprar boas roupas. Isso é que é vida!!!





Rico também tem umas manias chatas. Vive malhando, cuidando do corpo. Se tem uma "barriga de tanquinho", é sarado. Se tem uma barriguinha saliente, logo dá a desculpa de que é gordura localizada. Pobre não tem tempo nem dinheiro pra cuidar do corpo e também não malha, pelo contrário, só é malhado. Além disso, só tem barriga de tanquinho quando fica na beira do tanque lavando roupas e, se tem uma barriguinha saliente, não tem desculpa... é vermes. Já os privilegiados representantes da classe média podem ter gordura localizada, vermes, "barriga de tanquinho", "barriga de cerveja", pneus, gases, etc... mas a única desculpa que inventam é a de que tudo não passa de excesso de gostosura.




Fora isto, rico vive sempre no seu mundinho e prefere exsudar na sua própria academia de ginástica, enquanto o cara classe média gosta de conviver com outras pessoas, por isso, prefere transpirar na academia mais badalada da cidade, mesmo que tenha que fazer uma ginástica com o dinheiro para pagar a mensalidade. E os pobres? Os infelizes já suam feito uns porcos, fazendo ginástica e malabarismo com o pouco que ganham para sobreviver, então, academia nem pensar.




Se você sonha em formar família com um homem, morar numa casa de tijolinho à vista, com uma linda cerquinha de madeira, pintada de branco, um jardinzinho cheio de amores-perfeitos e neste belo cenário criar seus filhos e, além disso, ter um carro popular na garagem e um cachorro dálmata no quintal, procure um homem classe média com urgência.




Ricos não formam famílias, formam clãs. Se você casar com um rico, irá residir numa mansão revestida com tijolos vindos das pirâmides do Egito, não terá a sua bela cerquinha branca de madeira, mas sim um muro alto de tijolos e uma cerca elétrica. E pode esquecer, também, seu jardinzinho com amores-perfeitos, pois não haverá espaço para eles entre os filodendos e calatéias. Ricos também não tem filhos, mas sim prole, herdeiros. Você não terá um nem dois carros na garagem, terá vários, todos blindados, mas nenhum será o carro popular que você tanto sonhou. Ao invés de um dálmata, você terá um Podengo Ibicenco montando guarda em seu quintal. Pense nisso....




Mas não esqueça de pensar também no homem pobre... ele não forma família, não tem filhos. Pobre se arranja com uma mulher e dá cria. Com ele, sua casa não terá um muro, nem uma cerca elétrica, mas também não terá sua cerquinha branca. Terá um alambrado feito de garrafas pet, cheias de areia grossa. Um puxadinho modesto (de apenas 02 cômodos), revestido de latas de óleo será o lar, doce lar, de vocês. No lugar do jardim, apenas um areial com várias espécies de ervas daninhas, rosetas e pega-pegas. Sob o alpendre, um fuscão preto, ano 68, sem uma das rodas, comido pela ferrugem e, no fundo do quintal, amarrado a um fio de luz, um cusco sem raça definida, cruza de pastor alemão made in China com poodle toy paraguaio, que mais parece o urso do cabelo duro que acabou de escapar de um tornado.





Se você curte viajar, também recomendo o cara classe média, ou melhor, classe executiva. O negócio dos ricos é fazer viagens de negócio ou para destinos exóticos como Butão ou o Monte Everest. E sempre instalados na primeira classe das mais modernas aeronaves, degustando caviar e bebendo champagne. O classe média, o que vive de acordo com a realidade, gosta de viajar para lugares turísticos conhecidos, como Paris, New York, nordeste brasileiro, etc... Se puder, viaja de classe executiva e aproveita para comer um bom frango grelhado acompanhado de um cálice de vinho. Já o pobre, bem... pra começar, pobre só viaja na maionese. Os que tem alguma economia guardada embaixo do colchão, preferem massacrar a coluna, por horas, dentro de um ônibus semi-leito, enchendo a cara de "cocretes" caseiros e uma latinha de baré-cola, do que comprar uma passagem na classe econômica de um avião.






Se, ao invés de viajar, seu passatempo favorito é jogar, não tem como o homem classe média para lhe acompanhar. Ricos não tem passatempos, tem hobbys. E entre uma partida de golfe e outra, jogam seu dinheiro fora com bobagens como um relógio Rolex, um terno Armani ou uma Ferrari.


O pobre tem carnês para pagar, ou seja, não tem tempo para passatempos e acha que hobby nada mais é do que aquele chambre de seda que os ricos usam. O único jogo que lhe interessa é o jogo do bicho, que no final das contas, é a única chance de ganhar algum troco extra para o leitinho dos moleques.


Os classe média jogam de tudo um pouco... jogam stop, banco imobiliário, baralho, conversa fora, dinheiro para o alto e charme para cima da mulherada.







Por último, mas não menos importante, lembre-se que todos os homens, independentemente de suas classes sociais, são humanos e, portanto, erram. Digo, homens classe média erram. Ricos se equivocam e pobres se atrapalham com as idéias e dão nó na cuca. Ricos cometem gafes, pobres pagam mico. Ricos tem crises de indignação, pobres armam barracos. Então, porque não ficar somente com os caras que simplesmente erram?






Bom, o alerta está feito! Se ainda assim, você é do tipo que quer passar a vida comendo foie gras com champignon, dando ordens à criadagem, sendo assolada pelo medo de assaltos, jogando xadrez e visitando os filhos no colégio interno na Suíça, pegue seu cofrinho ambulante e tudo de bom, mas lembre-se, dinheiro em excesso não é sinônimo de felicidade.







Se, ao contrário, quer passar a vida comendo guisado de cebola com salsicha, recebendo ordens de despejo, sendo assombrada pelo medo de ser confundida com um assaltante (correndo o risco de acabar no xadrez) e tendo que passar a noite na fila, para conseguir uma vaga pro seu filho, num colégio de 5ª categoria, abrace o pobre mais próximo e seja o que Deus quiser, mas lembre-se, a falta de dinheiro é antônimo de felicidade.






Agora, se você ouviu meus conselhos e não se importa de passar o resto de sua vida comendo bife a cavalo com ovo "estrelado", dando ordens à faxineira, recebendo ordens de seu patrão, preocupada com o assalto que é o preço daquela camisa xadrez que você tanto quer e tendo que ir à reunião de pais e mestres na escola do seu filho, então, o cara classe média é o homem dos seus sonhos. Neste caso, minha amiga, entre na fila, atrás de mim e boa sorte, mas lembre-se, dinheiro não compra a felicidade, mas compra um lugar na fila.
























































































Um comentário:

César disse...

Muuuito legal! Ufa ... por enquanto ainda estou conseguindo ao menos evitar o despejo ... Rsrsrsrs. Bjs.