Quem ainda não deu dinheiro pra guardador de carro, levante a mão!!!!
Assim como uma praga, os "guardadores de carro" estão esparramados em todas as cidades brasileiras.
Não tem um lugar que se vá, que as criaturas não estejam por lá. Até em porta de cemitério tem flanelinha batendo o ponto!
Gostaria de saber como se criou esta "profissão", quem foi o pioneiro... o flanelinha-mor.
A concorrência é tão grande, que uma mesma quadra é guardada por vários flanelinhas ao mesmo tempo. De longe em longe, feito poste de luz, tem um estaqueado, de olho no seu setor.
Tem uns que são mais polidos. Conheço alguns até que não cobram dinheiro a cada vez que se estaciona o carro. Já outros, se não recebem uma moedinha ou um punhado delas, de preferência, são capazes de escomungar nossa família até a 14ª geração!
Falando em família, muitos se acham íntimos de seus "clientes" e tratam estes como se fossem realmente parentes.
Eu, por exemplo, apesar de ser filha única, tenho uma vasta "sobrinhada" espalhada pela cidade. Mal estaciono o carro numa rua e já vem aquela criatura, muitas vezes, décadas, mais velha do eu, correndo e perguntando: "Posso cuidar, tia?" Só me falta responder: "Claro, mas se não se comportar, a tia não vai te dar dinheiro pra comprar balinha depois do expediente, hein!" Ora, ora... faça-me o favor!!!
Tem aqueles que me chamam de "madrinha". Bem que eu queria mesmo ser... mas fada madrinha, isso sim, pra pegar a varinha e acertar no meio da cabeça dos mais chatos.
E "amiga", então? Ah... isso é direto. Nem sabia que eu tinha tantos amigos esparramados pela cidade. Cada rua que se dobra tem um sujeito abanando, se gesticulando e pulando no meio do pavimento aos berros: "Aqui, amiga, aqui!!!!!!!"
E tem aqueles que se acham verdadeiros guardas de trânsito. Até apito e um coletinho de cor berrante eles incorporam ao visual.
Alguns se acham seus subordinados... basta a gente estacionar e abrir a porta do carro que eles já vem logo se chegando e dizendo: "Pode ficar tranquila, chefia"!
Agora, um toque para as mulheres que dirigem. Se vocês querem mesmo saber se estão com tudo em cima, estacionem seus carros numa rua atolada de flanelinhas. Aí vocês terão noção se estão bem na fita ou não. Se algum chegar e disser: "Posso cuidar, moça?", vocês já saberão que estão bem e admito que o flanelinha merece, realmente, uma gorjeta. Mas se o dito cujo chegar e soltar uma frase do tipo: "Posso cuidar, senhora?" Neste caso, poupe a gorjeta pra comprar um creme anti-rugas ou fazer uma plástica facial!
Gorjeta, aliás, é o grande problema, afinal, muitos deles não se contentam com qualquer moedinha.
O que mais me alegra é que, muitas vezes, quando vou pegar o meu carro, a grande maioria já encerrou o expediente, mas quando isso não acontece e você não tem dinheiro ou não está a fim de colaborar, o negócio é improvisar.... Sorte minha que o alarme do meu carro não apita quando destravo as portas. Posso entrar silenciosa, sem ser percebida. Fecho a porta delicadamente, pra não alertar a rapazeada e aproveito pra ligar o carro, cronometradamente, quando outro se aproxima. O barulho do motor do carro que vai passando abafa o som do motor do carro que está sendo ligado. Depois é só se arrancar, "distraidamente", sem olhar pra trás. Ok, eu admito que isso é muito feio!!! Mas já dei cabo de toda a vara de porquinhos que tinha em casa, então, ou eu aplico este golpe, de vez em quando, ou vou ter que arranjar um "bico" de flanelinha, pra garantir os trocados dos coleguinhas. Fico com a primeira opção!
Mas, convenhamos que, não sou só eu que aplico o golpe. Eles, os que se dizem guardadores, também são experts no assunto. Cansei de estacionar e, ao voltar pra pegar o carro, não enxergar nem um sinal da pessoa que tinha se "comprometido" a cuidar o automóvel. Outras vezes, as criaturas estão tão distraídas, que nem vêem você pegar o carro. Confesso que, neste caso, já pensei em dar um contra-golpe: pegar o carro, estacionar em outra rua e depois voltar ao local anterior, fazendo de conta que o carro tinha sumido, só pra ver a cara do cara, mas não se preocupem, ainda não cheguei a este ponto. Ainda...
Sei que a escassez de empregos é tamanha, a ponto de cada um ter que inventar o melhor modo de sobreviver, mas temos que admitir que aguentar os flanelinhas é uma tarefa árdua.
Vou estacionando a postagem por aqui. Só, por favor, não venham me cobrar gorjetas depois... ok, amigos!!!!!
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