domingo, 27 de julho de 2008

Só para viajantes

Sou brasileira e rio grandina, mas isto é um mero detalhe. Fazer o que, se a cegonha não aguentou voar até o primeiro mundo e me largou quilômetros abaixo da Linha do Equador?
Antes de mais nada, sou terráquea e cidadã do mundo, por isso sinto a necessidade de cruzar fronteiras, rodar o mundo e viver a vida como ela é, onde quer que eu esteja.
Contrariando a vontade da cegonha, já cruzei a Linha do Equador e os Trópicos de Capricórnio e de Câncer, incluindo idas e vindas, umas 18 vezes. Até o Meridiano de Greenwich já atravessei. Mas tudo isso não interessa, pois são apenas linhas imaginárias que dividem a Terra. O que me interessa são as experiências que tive em cada país que já vivi. As pessoas acham estranho eu falar que já vivi na República Tcheca ou na Alemanha, por exemplo, mas eu não estava morta quando estive lá, então vivi, ora bolas.... o Brasil é apenas minha residência, o lugar onde eu moro.
É claro que, quando viajo, faço programas tipicamente turísticos, como visitar museus, igrejas, parques e até cemitérios. Mas, acima de tudo, assumo uma personalidade camaleônica, pois gosto de me misturar ao povo local, assumir seus hábitos, costumes e me tornar, ainda que temporariamente, uma americana, francesa, belga, etc...
Muitas pessoas, quando viajam, gostam de frequentar ótimos restaurantes. Tudo bem... é muito bom, realmente, mas eu não troco o restaurante mais refinado pela experiência de ter comido um cachorro quente, tipicamente americano (pão com salsicha e molho apimentado), sentada na escadaria do Museu de História Natural, em New York. Nem pelo maravilhoso pão com linguiça que degustei, numa bela tarde de domingo, sentada numa praça no centro histórico de Praga, na República Tcheca.
Ir a Veneza e não andar de gôndola, realmente não tem graça. Claro que não poderia deixar de fazer este programa, afinal, eu sou turista, mas na tentativa de me sentir nativa, também não abri mão de almoçar sentada na Piazza San Marco, espantando os milhões de pombos que tentaram roubar minha comida e tapando o copo do refrigerante com uma das mãos, para que ele não fosse alvo do bombardeio aéreo dos pombinhos.
Fazer um passeio de barco pela Baía de San Francisco, ver a ponte Golden Gate... tudo isso eu fiz, como boa turista que se preze. Ficar de biquíni numa movimentada praça no centro de San Francisco, só para apanhar sol.... isso eu não fiz (porque não estava de biquíni por baixo das roupas), mas sentei na praça para apreciar os costumes tipicamente locais.
Subir na Torre Eiffel e visitar o Museu do Louvre: programas indispensáveis para o turista que vai a Paris. Sentar numa cadeira do Jardim de Luxemburgo, apenas para ler um livro ou, então, comprar uma baguete, colocá-la debaixo do braço e sair comendo pela rua: programas indispensáveis para o parisiense. Eu aconselho... os quatro programas.
Não tenho hábito de ir a missas, mas se me perguntarem porque fui assistir uma missa, num domingo de manhã, na Catedral de Notre Dame, minha resposta é apenas uma: para viver a experiência!
Em Londres, já estive no Big Ben e no Palácio de Buckingham, entre tantos outros pontos turísticos, mas também já deitei na grama verde dos belos jardins do Regent's Park, no meio de um incontável número de londrinos, apenas para descansar e saber o que eles sentiam ao fazer isso... e posso dizer... isso é que é vida!
Em New York, já enfrentei fila para assistir espetáculo na Broadway e para subir no topo do Empire State, mas também já fiquei na fila de uma delicatessen só para saber qual é a graça de comprar um chocolate quente e sair tomando pela rua, como os americanos tanto costumam fazer. Tenho que admitir... tem um gosto especial. Também na Big Apple, já enfrentei fila em supermercado para comprar pão, frutas, refrigerante, sabonete Palmolive e pasta de dente Colgate. Isso é viver a vida como ela é...
Galerias Lafayette, Harrod's, Macy's, lojas de grife, lojas de souvenires.... sou frequentadora assídua, como todo turista. Farmácia, ferragem, padaria, livraria, casa lotérica, floricultura, mercado de pulgas... também sou frequentadora assídua, como todo nativo da cidade.
Já fiz passeio turístico em cemitério e, ao mesmo tempo, aproveitei para assistir um enterro que estava acontecendo naquele exato momento. Vocês devem estar achando que eu sou sem noção, né? Muito pelo contrário... vocês têm noção do que é ter a chance de vivenciar coisas do dia-a-dia em outro país? Pra mim, é como tirar na loteria! Não tem quem vá a Paris e não volte contando sobre seu passeio pelo Sena, sua visita ao Arco do Triunfo, etc.... Mas quantos vocês conhecem que já presenciaram um enterro na capital francesa?
Nesse misto de turista e nativa...
... não só aplaudi o Fantasma da Ópera, como também já gritei no meio de um protesto contra a crueldade a animais, em frente ao Madison Square Garden
... tomei maravilhosos cafés da manhã pelos hotéis em que me hospedei, mas também já paguei por um café da manhã, regado a burritos, num McDonald's da vida
... já enfrentei metrô em horário de pico
... andei em ônibus de linha, em Praga, sem entender patavinas do idioma tcheco
... enfrentei greve geral de transportes, em Amsterdam
... presenciei atropelamento em Berlim
... presenciei o incêndio de um prédio e uma perseguição policial em New York
... dei informações a turistas perdidos
... dei esmolas a necessitados
... fui abordada no calçadão de Lisboa para participar de uma entrevista sobre o governo português
... liguei televisão para assistir noticiário alemão...
Fora tantas outras coisas que não lembro, não por serem sem importância, mas sim por serem coisas simples do cotidiano e que, normalmente, não fazem parte da rotina de um turista comum.
Viajar é tudo de bom, fazer compras é uma delícia e voltar com duas malas de 32kg, cada uma, estribuchando de coisas é fácil, fácil para qualquer turista, mas na minha opinião, além disso, o principal é voltar carregada de histórias e experiências, bagagens estas, que jamais serão cobradas pelo seu excesso e que, acima de tudo, não correm o risco de serem extraviadas no primeiro aeroporto que aparecer.
Pense nisso! E se você tiver a oportunidade de botar o pé na estrada, correr o mundo, cruzar fronteiras, não desperdice esta chance, afinal, TUDO VALE A PENA SE A ALMA (E A MALA) NÃO É PEQUENA!!!

2 comentários:

Carol disse...

Fabi, Fabi, Fabi!!!

consigo entender esse teu lado da viagem e concordo plenamente contigo....mas ir a cemiterio pra mim jah eh demais!!! hahaha

Soh espero que quando vieres a Escocia nao queiras virar um tanto assim, como dizer,...sujinha para te sentir em casa!!! hahahaha!! A tentacao eh grande mas espero q sejas forte!!! hahaha

Agora aposto q nao fizeste com a mae que quase participou de uma festa a fantasia em Londres...bom pelo menos ela tem foto para prova isso!!hahaha

Beijao

César disse...

Fêibi 'worldwide' é demais!!! Rsrsrsrsrs. Té mais, 'baby'!